Esse é o tempo que separa a promessa da realidade. Em 24 de agosto de 2022, sentado diante das câmeras do Jornal Nacional, o então candidato Lula olhou para o Brasil e disse aquilo que todo mundo queria ouvir: “O povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha.”
A frase virou mantra. Virou jingle. Virou palanque.
E virou pó.
Passados quase 44 meses, a picanha acumulou 12% de alta. O contrafilé subiu 26%. O acém, 31,8%. O músculo, 25,7%. A cerveja — aquela cervejinha — ficou 25% mais cara em mercados e bares. Só a inflaçãoacumulada desde janeiro de 2023 empurrou todos os produtos para cima em pelo menos 17%.
A pergunta que ninguém faz é simples: quem prometeu o churrasco vai explicar por que a conta ficou mais salgada?
Não vai. Em 2026, Lula não disse nada sobre o assunto. O silêncio é a confissão mais eloquente da política brasileira.
O boi também não perdoa
O preço nominal da arroba do bezerro ultrapassou os R$500 pela primeira vez na história, em abril. A última vez que algo parecido aconteceu foi em 2021, no auge da pandemia — quando havia, ao menos, uma justificativa global para a escalada de preços. Agora, a justificativa é outra: descontrole fiscal, câmbio pressionado e um governo que prefere gastar a ajustar.
Mas há um detalhe que torna tudo mais revelador.
Quando Lula fez aquela promessa em 2022, a narrativa era clara: o brasileiro passava fome por culpa do governo anterior. A carne cara era culpa de Bolsonaro. A cerveja cara era culpa de Bolsonaro. O gás caro era culpa de Bolsonaro. Bastava trocar o presidente e o churrasco voltaria.
Trocou. O churrasco não voltou. E a culpa agora é de quem?
Sucessão à vista — e o PT já olha para o espelho retrovisor


























