A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,58% em maio, após marcar 0,67% em abril, disse nesta sexta-feira (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar da trégua em relação ao mês anterior, a taxa de 0,58% é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). A variação também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.
O temor de analistas é de que o cenário interrompa o ciclo de queda dos juros antes do que era esperado. A Selic está em 14,5% ao ano.
O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, volta a se reunir na próxima semana para definir o patamar da taxa. A decisão sai na quarta (17).
ALIMENTOS PRESSIONAM IPCA
Os alimentos voltaram a pressionar a inflação. No IPCA de maio, a maior variação (1,33%) e o principal impacto (0,29 ponto percentual) vieram do grupo aimentação e bebidas. Assim, o segmento respondeu por metade do índice mensal, disse o IBGE.
Dentro do grupo, a alimentação no domicílio registrou alta de 1,65%. Houve influência dos aumentos da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,8%) e das carnes (1,39%).
“O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e também há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, disse o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.
Parte da fala é uma referência à guerra no Irã, que pressionou as cotações do petróleo. Um dos reflexos iniciais no Brasil foi a alta dos preços dos combustíveis, incluindo o óleo diesel, que pressiona o custo dos fretes nas rodovias.
O horizonte do segundo semestre tem o desafio adicional do fenômeno climático El Niño, que altera a distribuição de chuvas.
Previsões indicam risco de um evento com forte intensidade. A situação pode atrapalhar a produção agropecuária, com eventuais repasses para os preços dos alimentos até o final do ano.
A meta de inflação perseguida pelo BC tem centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa teto de 4,5% e piso de 3% para o acumulado de 12 meses.
A meta é considerada descumprida quando o IPCA permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância no acumulado.

























